quarta-feira, outubro 16, 2013

Talking Heads - 77 (Resenha)








New Wave, Avant-Gard, Post-punk, Artpunk, Art-Rock, Eletroclash, College Rock…muitos termos para poder tentar rotular a herança punk aos anos 80. O punk certamente foi uma das maiores revoluções musicais da história da música. Em meados dos anos 70 anarquia, revolucionarismo, anti-ídolo, do it yourself e música direta (na tora), começava a fazer parte do cerne da ideologia artística subversiva de bandas como Ramones, Vevet Underground, Stooges, MC5, Sex Pistols e Dictators. Essa ideologia, instaurada por tais bandas canônicas se perpetuou por todo o planeta.  O final dos anos 70 e início dos 80 foi um período de intensa ploriferação de bandas que abriram todas as portas desveladas pelo punk setentista. Para encurtar a história e dizer que não precisamos nos atar tanto aos rótulos de prateleira, o anos 80 foi o período em que mais se (ou)viu misturas, simbioses, disjunções, extrações, multiplicações e uniões estilizadas de todos os gêneros  musicais já inventados, além da criação de cenários musicais mais autônomos. Portanto, a quantidade de nomenclaturas e definições que você irá encontrar sobre bandas dos anos 80 é quase infinita, já que praticamente todo pequeno núcleo que compreendesse um circuito musical de uma ou duas cidades, criava para si uma autodefinição de gênero (ideologia da subversividade e da inovação).
            Então, esquecendo das pequenas etiquetas, volto os olhos para àquelas bandas que conseguiram de fato se destacarem por conquistar um espaço onde a música pudesse alcançar o encantamento pela simplicidade e onde a genialidade de músicos singulares puderam ser vistas em pleno exercício de criação e invenção de novos cenários musicais.
            Pela inserção dos teclados e maior (inteligente) apropriação do pop, o gênero chamado New Wave (para muitos, vertente do Punk) veio à tona, embora eu acredite que isso se deu pela grande quantidade de gênios inovadores que puderam se apropriar com maestria de outros ditames musicais como Ian Dury, Howard Devoto, Nina Hagen, Johnny Rotten (John Lydon), Richard Hell, Brian Eno, Ric Okasek, Siouxsie Sioux, Robert Smith, Sting, Morrisey, Johnny Mar e claro, David Byrne.  Nessa época, três bandas mereceram destaque pela muito boa recepção de suas músicas na América, são elas Blondie, The Cars e Taking Heads.  Essa tríade pariu clássicos eternos da música como “Candy-O”, “Parallel Lines”, “More Music About Buidings & Food” e “ 77”. Hoje irei comentar este último.
            David Byrne é um nome que coloco no mesmo hall em que mora John Lennon, Roger Waters, Michael Jackson, David Bowie, Vangelis, Little Richard, Ravi Shankar ou Bob Dylan. Um grande gênio da música que, claro, influenciou toda a cena pop rock que viria a seguir. Prolífico compositor, atuou na concepção de obras de World Music, produção de álbuns experimentais, trilhas sonoras para espetáculos teatrais e filmes, além de produzir obras como escritor, fotógrafo etc. É a partir desse primeiro disco que pudemos começar a captar a essência do trabalho de Byrne.
Na década de 90’ e 00’ pouco se criou no âmbito pop/rock, sendo muitas “novidades”, referências e remetentes aos clássicos do final dos 70’ e anos 80. Acredito que os quatro primeiros discos do Talking Heads ainda nunca foram superados de fato, e não somente pela sua qualidade artística, mas, sobretudo por sua inovação surpreendente. O folk e o soul estão tão peculiarmente ligados ao rock e a relação multisensorial consegue ser tão minimalista nestas obras, que é difícil poder encontrar bandas com sonoridade parecida, eles conseguiram uma simbiose genial jamais vista. Um dos fatores que mais salta aos olhos é a simplicidade com que tudo é feito. Mesmo mais adiante na carreira, onde os Heads se acoplaram a World Music e, mesmo após o retorno de seus membros para a definição de seus 3 últimos álbuns, eles mantiveram esse caráter que os fizeram imortais.

            “ Talking Heads 77” é o título da primeira obra do Talking Heads a ser distribuída,  aqui as Cabeças Falantes ainda não estavam nas mãos do grande Brian Eno, portanto é possível ouvir um Talking Heads genuíno e é possível captar sua essência, isso faz com que este disco seja o meu preferido. A gradativa fusão de sons eletrônicos com polirritmia percussiva influenciaria de modo incisivo o panorama da música pop dos anos oitenta. A gênese dessa estética já estava condensada na despojada instrumentalização e na força das composições deste LP de estréia. Um álbum que transcende por sua criatividade os próprios limites do cenário insurgente do punk-rock nova-iorquino depurando esta energia através da sutileza instrumental e com isso conseguindo um resultado excepcionalmente original dentro de um contexto de absoluta efervescência criativa. Tudo está no lugar certo e nada soa exagerado, causando extremo deleite. Desde o tema de abertura “Uh-Oh, Love Comes to Town” até o single “Pulled Up”. Desta vez não irei comentar as faixas separadamente, acredito que o disco deve ser ouvido e as conclusões tiradas quando os 38:37’ estiverem se esgotado e uma grande vontade arrebatadora venha a decidir ouvir o disco inteiro novamente.




Faça o download aqui:
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quinta-feira, setembro 19, 2013

Slayer - South of Heaven (Resenha)

O Slayer já é uma instituição dentro da música pesada, seus singles seculares irão por muito tempo soar nos falantes mais lisonjeados da terra. Depois do clássico consagrado “Reign In Blood” de 1986, - o terceiro álbum da banda - o peso de se ter que continuar trabalhando à altura era grande.  Em Dezembro de 1987 os mestres pisaram no estúdio de Hit City West em Los Angeles para gravar com o mesmo produtor do “Reign in Blood” Rick Rubin, seu quarto álbum. Segundo Jeff Hanneman, este foi o único disco em que a banda discutiu, antes de compor, como gravaria o disco. Ele acreditava que nada que eles pudessem gravar poderia superar o disco predecessor e qualquer coisa que viesse neste novo Record seria comparada negativamente em relação ao disco de 86, portanto deveriam compor algo mais lento e diferente. Então, em “South of Heaven” diminuíram o tempo do disco inteiro e abaixaram um tom para todas as músicas com reação ao original. Também não fizeram uso de distorções sujas nas músicas e Araya pela primeira vez usava palhetas ao invés de manusear o baixo com os próprios dedos. King, à época, ficou insatisfeito com o resultado, o disco teria saído muito cadenciado e “alegre”. Nas letras a abordagem do Slayer também era outra, o satanismo dava lugar às críticas sociais e religiosas.
O resultado foi um disco memorável, foi o segundo a atingir Ouro nos E.U.A e pela primeira vez a banda conseguia um Disco de Prata no Reino Unido. “South of Heaven” foi o “ticket to mayhem” para o Slayer entrar no concorrido mercado do Reino Unido. Mesmo que no início tenha sido rejeitado por parte dos fãs e alguns críticos, o disco foi um sucesso e a banda arrebanhou novos fãs. A velocidade do "Reign" fazia com que os riffs fossem mais plásticos. As guitarras se viravam para conseguir, com a velocidade estonteante do tempo das canções, riffs inimagináveis – Como se um drible genial se realizasse com pouco espaço no campo. Em “South of Heaven” a cadência mais lenta das músicas permitiram um trabalho mais minucioso na harmonia do disco e uma chuva dos melhores riffs do Slayer aparecem. Para mim, é o melhor trabalho de riffs do saudoso Jeff Hanneman.
A faixa-título abre o álbum de maneira mais lenta e sombria, riffs geniais dão o andamento da música inteira, causando arrepios nos desavisados. Alternam-se com riffs pesadíssimos de meio. A voz de Araya não está tão agressiva e percebemos que o Slayer está mais técnico. “Silent Scream” traz o peso esperado, dois geniais riffs alternam-se com propriedade a trazer um orgasmo em cada alternância. A canção parece um protesto, seja pelas letras altamente críticas e agudas, seja pela performance de Araya, que se aproxima de um discurso em manifesto nesta música. “Live Undead” é marcante pelo espetacular desempenho de Lombardo, que neste disco despeja claramente toda sua técnica apurada. A música fala de mortos que voltam à vida, e ilustrando os dois mundos a música começa arrastada e, dividida pelo solo de King, começa a se inflar. Araya mostra o quão virtuoso intérprete ele pode ser e aqui dá um show de interpretação seguindo sensivelmente as nuances da música. “A war ranging deep inside my head, a split decision that will end with me dead” \m/.
“Behind the Crooked Cross” é a primeira música a apresentar letras de Hanneman, críticas à religião que impõe o seu modelo de vida como cultura única para a sociedade ocidental. A música tem certa influência punk e deveria ser obrigatória nos set-lists ao vivo por sua energia contagiante. Impossível os fluidos de “Behind the Crooked Cross” não te fazerem bater cabeça. O refrão traz a característica marcante do Slayer e dois solos absolutamente fenomenais e seguidos (Hanneman/King) dão um ar de especialidade à canção. “Mandatory Suicide” traz um riff eterno em sua abertura, Hanneman é tão criativo e sensível que ao mesmo tempo em que cria um riff de abertura tão emblemático, traz um riff seguinte de andamento totalmente encaixado e thrasher, e ainda mais um lindo riff matador, totalmente contextualizado e alinhado à proposta melódica da canção, entre os versos. “Mandatory Suicide” conquistou muitos fãs e ainda hoje é quase obrigatória nas set-lists das apresentações da banda.       
O Lado B não é tão criativo quanto o A, mas permanece muito bom. “Ghosts of War” é uma das minhas preferidas do disco. Primeira letra do King trata das almas penadas dos soldados de guerra que ascendem novamente. A música tem uma introdução visualmente simbólica que vale para a interpretação da narrativa lírica. Araya canta como o próprio demônio a ordenar hordas de soldados mortos que se levantem e quebrem suas sepulturas. Os dois solos de Hanneman são muito bons e puxam o final cadenciado da música onde mais um riff fantástico aparece no play - O último solo, inclusive, talvez seja o melhor do disco. Final matador. “Read Between the Lines” traz novas críticas à religião e apesar de ser uma boa música, é uma das mais fracas do disco. Tem melodias pouco criativas,não há um refrão marcante, mas preenche bem o álbum. “Cleanse the Soul” é a música que o Kerry King odeia.  O guitarrista ainda diz: “é uma marca negra na minha carreira, não me imagino tocando aquele riff alegre de abertura.” Realmente a música é a mais fraca do disco, pouco criativa, riff enjoado e letra pouco expressiva. Não chega a ser uma música feia, apenas não está no nível Slayer. “Dissident Agressor” é o primeiro cover gravado em estúdio pela Banda. É a música preferida do Judas Priest por Hanneman e King, além de ter sido escolhida pelo conteúdo das letras. “Spill the Blood” é meu riff preferido de toda a obra do Slayer e talvez seja a melhor música do álbum. Chegando bem em baixo do inferno (sul do céu), mostrando os vislumbres do porvir, Hanneman apresenta uma letra mais poética e melancólica. A canção é, também, melancólica e bastante soturna. Araya canta magistralmente, trazendo uma das suas melhores interpretações à frente do Slayer. A ambientação da música é incrível e arrebatadora, o riff tirado da cartola de Hanneman dá lugar a outro riff perfeito de andamento para acompanhar a voz sorumbática de Araya. Não há solo de King nesta música, e Hanneman fica responsável pelo solo arrastado e tétrico da canção. Chave de ouro...ou de sangue.
Para àqueles que não conseguiram adaptar seus ouvidos ao que o Slayer conduziu em 1988, só o tempo pôde mostrar como este disco foi importante para o crescimento e amadurecimento da banda. Araya confirma que foi um disco que alcançou lugar um pouco demoradamente no coração dos fãs, mas foi pra valer. Hoje é difícil o fã do Heavy Metal ouvir o “South of Heaven” e não gostar. O que só ratifica que as diferenças de época são extremamente definidoras do padrão de recepção de um povo que acompanha atentamente o crescimento da produção de seu tempo.

Get Thrashed!

sábado, setembro 07, 2013

Death - Sound of Perseverance (Resenha)

Sabemos que Jeff "Mantas" Dunn é um dos grandes nomes da música pesada, foi responsável por todos os primeiros trabalhos do Venom, assim como Thomas Gabriel do Hellhammer e Mike Torrao do Possessed. O que estes nomes têm em comum? Foram peças fundamentais para aquilo que conhecemos como Death Metal clássico. Mas acredito que nenhum deles é mais intrigante e icônico do que Chuck Schuldiner. Acredito que o grande crescimento do Thrash Metal na baía de São Francisco, localizada no estado da Califórnia onde Chuck morava, fez com que a mente daquele adolescente se estalasse. Ele fundou o “Death” como válvula de escape para toda a sua criatividade alimentada por todas as dores que sofrera na infância e adolescência. Chuck instaurou, praticamente sozinho nos Estados Unidos, uma nova estética sonora em meados dos anos 80, onde conseguiu captar a energia pesada que era diluída no então nascido Thrash Metal, e afundá-la no mais puro horror explícito. Quer dizer que toda imagem extra cotidiana mantida no subconsciente humano para manter a ordem da vida social, agora era revelado e mostrado em sua vertente mais insana. Tudo o que você conhece sobre música Gore nasce aqui. 

Schuldiner conseguiu fazer algo que todo novo cenário faz, romper a ideologia atual e instaurar uma nova discursividade musical, trazendo temáticas e atmosferas totalmente novas. Embora eu esteja em uma posição que admira essa subversão e essa capacidade de romper com normas sociais para mostrar à sociedade seus erros e suas injustiças, não compartilho totalmente da ideologia documentada pelos precursores do Death Metal Gore onde as representações imagéticas de violência e sangue mais insanas são buscadas avidamente a título de manter o status de intocáveis, e nesse aspecto, Chuck queria ser irremeável. 

O passo maior foi dado com o lançamento, em 1987, do debut        “Scream Bloody Gore”, considerado um clássico na história do gênero musical por apresentar uma roupagem sonora completamente diferente do que se escutava na época, com técnicas de guitarra complexas e bem trabalhadas, vocais guturais predominantes (embora não me agrade tanto) e a parceria entre som e letra que beirava a perfeição.

A cada novo lançamento o Death se consagrava cada vez mais, ajudando a criar um novo estilo dentro do heavy metal. Além disso, o grau de influência do guitarrista e vocalista Chuck Schuldiner quadruplicava. A cada novo lançamento, os fãs, músicos, bandas e a crítica especializada entravam em combustão. O que pouca gente sabe é que o proeminente músico norte-americano era um cara pacato, extremamente ligado à família, exímio cozinheiro e defensor e resgatador de animais. Gostava de jardinagem e de estar em contato com a natureza e era um homem extremamente gentil e cuidadoso. Isso nos mostra o quanto é importante separarmos a Pessoa Civil da Figura Autoral.

Mesmo estando inserido na música pesada, não gostava de ostentar nenhum visual característico ou postura extremista, nem mesmo gostava do vocal gutural que sempre se viu vinculado. Apesar de não ser adepto de correntes religiosas, Chuck acreditava na conexão entre o homem e a natureza, e fundamentava a ideia de que as pessoas devem fazer coisas boas, dignas, honradas, sem prejudicar o próximo. Não há palavras para descrever o Chuck e a influência que ele teve ou a que continuará a ter pelos anos que se seguem a partir de 1984. Ele era único, genuíno e muito perfeccionista.

Afirmando a sequência da constante evolução à medida que os álbuns do Death iam sendo lançados, em Agosto de 1998 foi lançado o disco “The Sound of Perseverance”, como produto de experimentos do novo projeto de Chuck, o “Control Denied”.  Ele foi compositor, letrista e gravava quase todas as canções de deus projetos, e esse novo álbum foi o mais técnico que já produziu. Outra característica marcante do disco é o vocal diferenciado, Chuck optou por deixá-lo mais agudo e rasgado. A formação do álbum incluiu ótimos músicos - 'aproveitados' do "Control Denied". Mesmo substituindo um monstro como Gene Hoglan, Richard Christy conseguiu conquistar respeito entre os fãs da banda através do que fez em músicas como "Scavenger of Human Sorrow" e "Forgive is To Suffer", por exemplo.

Chuck Schuldiner e Shannon Hamm travaram uma excelente parceria, dois ótimos guitarristas que se envolveram em uma empatia to grande, que foi além da relação de estúdios e palcos. "The Sound of Perseverance" fora o mais perto que o "Death" chegou de ser, de fato, uma banda. Apesar de inevitavelmente ouvirmos o disco com um conceito estabelecido diante de mais uma peça autoral de Schuldiner, pérolas como "Flesh and The Power It Holds" e "Story To Tell" mostram que aquilo era realmente uma coisa diferente, era uma banda com mais de um compositor, e isso é visível através de estruturas complexas e, até mesmo, inéditas para os próprios fãs da banda. Não há uma nota gratuita sequer neste disco, cada acorde dessa gravação foi pensado, inúmeras vezes antes, pela mente perfeccionista de Chuck Schuldiner.

            O disco inicia-se com “Scavenger Of Human Sorrow”, um clássico absoluto, riffs magníficos sem constrição alguma, a combinação de acordes perfeita para alcançar uma intensidade jamais vista. Richard Christy é um baterista sem igual, mas aqui, dirigido por Chuck, faz seu melhor trabalho na carreira, realmente impressionante seu virtuosismo e sua noção detalhada de arranjo. As letras de Schuldiner trazem de forma bastante poética o tema da morte e já nos deixa a impressão de estar diante de uma obra épica.
           
Seguimos com “Bite the Pain”, um pouco mais cadenciada, intro fantástica, as guitarras emocionam, os riffs que entram são excelentes, mostrando que realmente Chuck se superou nesse fundamento, o vocal encaixa absolutamente justo na música, a voz de Chuck soa como algo de demente, avassaladora. Grande (excelente mesmo) solo de guitarra e descobrimos que a mixagem do álbum parece impecável, cada instrumento recebeu atenção máxima. As letras continuam muito boas, seguindo uma linha metafórica muito poética e claramente tocam na temática da relação ignóbil entre ser humano e natureza.
           
A terceira faixa é “Spirit Crusher”, música sensacional, a variação de riffs imposta é de uma qualidade absurda, a música inicia-se com um solo de baixo, cedendo às tentações da guitarra corrosiva de Chuck, seu vocal entra em um grunhido arrastado como o demônio, a música fica rápida por um momento, a bateria vai a mil e o coração acelera. O baixo marca de maneira esplendorosa o ritmo para as excelentes guitarras da dupla Chuck/ Shannon e mais um lindo solo vara a música. O refrão dessa música é algo muito mágico, uma atmosfera fantástica quase festiva, emocionante e você vai lembrar dele por algum tempo. A letra é muito emocionante e já sabemos que o álbum inteiro terá letras extremamente poéticas e com temáticas muito diferentes do Gore de outrora, atentando-se para a essência da humanidade, mas de maneira muito peculiar, são as angústias e perseveranças que prevalecem. Uma das minhas preferidas.
           
Depois vem “Story to Tell”, a bateria é o grande destaque dessa canção, mas você vai cansar de ler sobre o excelente trabalho das guitarras de todas as músicas nesta resenha, ainda mais com um solo tirado da cartola mágica de Chuck. A faixa não é a melhore do disco, mas é bastante complexa e agradável. Talvez a esse ponto, alguns já comecem a perceber que o Chuck abusa um pouco do vocal arrastado (que ele também não gostava tanto), mas que ao final tem um significado maior, são desalentos pertinentes da história da humanidade exemplificada dentro de uma individualidade particular.
           
Parece ser um disco que o ouvinte deve ouvir diversas vezes. Assim como qualquer obra de arte, deve ser apreciada várias e várias vezes para que se apreenda o seu sentido independente da energia que o público sustenta no momento. Mas certamente, se você for amante da música pesada, vai decorar esses riffs todos e ainda cantar com o Chuck algumas passagens enquanto atravessa à rua para ir ao trabalho.

Uma intro muito linda dá o ar da quinta faixa, “Flesh And The Power It Holds”, que riffs magníficos! A música fala sobre as abjeções e vilezas da paixão e do materialismo. Ponto altíssimo do álbum, o baixo descompassado, a bateria técnica e detalhada, guitarras monstras, realmente monstras nesse momento, groove pauleira! A criatividade da banda se eleva a um patamar incrível. Uma passagem com o baixo de Scott Clendenin é um dos pontos mais legais da música, pois logo entra Schuldiner e faz um solo maravilhoso, mostrando uma de suas vertentes de improvisação, um dos melhores solos do álbum. A guitarra acaba seu solo, mas o baixo continua ali, com seu riff infernal. Todos os instrumentos se juntam outra vez e fazem uma pancadaria de alta qualidade, Chuck volta para o grande refrão da canção. Música do caralho! Ouça com fone e canse seu pescoço com todos os riffs dela.
it will take you in, it will spit you out
behold the flesh and the power it holds”
Genial.

            Chuck descansa a voz para incendiar suas guitarras em “Voice of the Soul”, uma faixa instrumental belíssima, parece que feita para celebrar as grandes guitarras do disco, ratifica a beleza da instauração de um marco na história, os violões aparecem pela primeira vez com proeminência e como é bom ouvi-los! Que harmonia estonteante Chuck consegue aqui! Uma das melhores do álbum, serve de ótimo interlúdio entre duas músicas complexas e pancadíssimas. Christy também descansa para enfim reatar com “To Forgive Is To Suffer”, penúltimo registro do debut e que registro! Minha predileta neste Record. A chuva promovida pela bateria na Intro é algo surreal, o riff é sem adjetivos, mais parece um mini-solo ou sei lá o quê! Tanto talento por detrás dele, que é impossível ignorá-lo. Aqui, tanto quanto todo o álbum, tudo se encaixa perfeitamente, é uma música perfeita, sem outro adjetivo que possa a descrever. Por muito tempo foi minha música de Metal preferida e certamente foi uma das mais ouvidas. O entrosamento chega a ser encantador. Talvez o trabalho de contrabaixo de Scott Clendennin fique à sombra das guitarras que saltam aos ouvidos neste play, mas ao ouvir com fones, essa sensação é bem mais amena e o baixo aqui é MONSTRUOSO! E Sinceramente, digo que o vocal de Chuck nesta música é uma das coisas mais impressionantes que já ouvi aos microfones, ele sustenta tanta raiva e agonia , que a certo ponto quase não importa mais o que ele está dizendo. Não obstante, a letra é uma das mais belas do disco. Construção do caralho! Fecha a porta do seu quarto e vai ouvir!
           
O disco se encerra com “Moment of Clarity”, bons riffs, o vocal de Chuck está excelente nesta faixa, mostra como ele pode ser diverso em seu timbre (ainda mais a parte que fica perto do final). Solo ótimo, a guitarra de Chuck toma conta da música, faz dela uma faixa muito poderosa e empolgante. Letra, como sempre, muito bem produzida e tocante à filosofia existencialista. Merece destaque.

Life is like a mystery
with many clues, but with few anwers
to tell us what it is that we can do to look
for messages that keep us from the truth”


            Ainda temos a grata surpresa de receber de presente o melhor cover de Judas Priest jamais feito, Painkiller na voz de Chuck é legal demais de ouvir. 
Talvez você considere o álbum meio longo e arrastado, mas uma outra audição poderá  remover essa ideia, trazendo maiores “momentos de clareza” para a concepção deste álbum conceitual, estética, ideológica e musicalmente falando. Por exemplo, os mesmos riffs que se repetem em momentos diferentes das músicas, faz com que o álbum seja mais apoteótico.

É a epopeia do Chuck Schuldiner, uma obra monumental dentro do Metal, um álbum conceitual, arduamente trabalhado em seus mínimos detalhes, a trilha sonora do perfazimento da condição essencial humana.

Cada música deste álbum é um ponto alto, a técnica absurda aliada à criatividade fantasmagórica de Chuck Schuldiner faz desse disco um marco definitivo na história da música e é, sem sombra alguma de dúvida, um dos melhores discos de rock da história. Em seu último álbum com o "Death”,  Schuldiner provou que, além de ser um dos responsáveis pela criação do gênero, também poderia ser um dos pioneiros na evolução do mesmo; "The Sound of Perseverance" foi crucial para a 'nova onda' do Death Metal técnico que surgiria posteriormente e, além disso, um digníssimo encerramento para uma das bandas mais singulares da história do metal. Se você, assim como eu, não se identifica muito com o gênero, ouça "The Sound of Perseverance", é algo absolutamente inédito e foge às prateleiras do gênero.



sexta-feira, agosto 30, 2013

Sodom - Agent Orange (Resenha)



O Sodom faz parte da grande tríade do Thrash Metal alemão, composta também pelo Kreator e Destruction. É uma banda que resurgiu quando lançou seu quarto trabalho intitulado Persecution Mania, deixando o Death/Doom de lado para mergulhar de cabeça no Thrash Metal. O trabalho subsequente foi o Agent Orange (1989), que figura, para mim, como seu melhor álbum. O Sodom sempre foi uma banda de altos e baixos, modificando a sonoridade e a pegada de seus discos. Mas acertaram em cheio no Agent Orange, este disco que é último com o guitarrista Frank Blackfire antes de sua partida para se juntar ao Kreator, revela o conteúdo de suas letras, como viria a se repetir em quase toda a carreira do Sodom, na fascinação de Tom Angelripper com a Guerra do Vietnã.  Foi o primeiro álbum de thrash metal a entrar nas paradas alemãs e vendeu mais do que qualquer outro álbum das bandas do thrash metal teutônico.

O disco é uma obra-prima do Thrash, o falecido Chris Witchhunter tem sua melhor atuação na carreira, Tom faz um trabalho vocal excelente, em alguns momentos até parecido com Dave Mustaine, e Blackfire construiu os melhores riffs até então apresentados pelo trio alemão. Agent Orange é, antes de qualquer coisa, original, intenso e muito, muito técnico. É impressionante o trabalho técnico desenvolvido neste debut, diga-se de passagem, é o disco de thrash metal mais técnico e habilidoso que eu já ouvi, ao lado de pérolas como Coma of Souls. As guitarras de Blackfire são insuperáveis neste disco, o Sodom conseguiu manter, da maneira mais virtuosa, a sonoridade rápida, pesada e agressiva própria dos anos 80.

O trio abre o disco com a pancada “Agent Orange”, uma música obrigatória para qualquer headbanger, Agente Laranja é o nome do desfolhante químico infeccioso usado pelo exército norte-americano durante a Guerra do Vietnã para devastar áreas florestais, sob o argumento de eliminar a cobertura vegetal, assim evitando que os Vietcongues se refugiassem nas matas florestais. Esta operação foi chamada de Operação Ranch Hand e consistiu em espalhar toneladas de Agente Laranja numa área equivalente a 50.000 km². Estima-se que nos anos 70 nasceram cerca de 500.000 crianças com deformações atribuídas ao agente químico. Chega a ser emocionante ouvir “What medicine will help? Still births will rise. Agent Orange, a fire that doesn't burn”. Por isso o metal é tão apaixonante, expressa sua revolta através da agressividade inevitável da revolução. “Tired and Red” segue na agulha, é uma das mais belas músicas do Thrash Metal que já tive acesso, muito técnica, virtuosa e pauleira! Riffs matadores e muito bem pensados, uma homenagem aos soldados que vivem o terror da guerra, homenagem que fica bem visível com o segundo bloco da música onde podemos ouvir Blackfire aos violões que dão lugar a uma estupenda sequência emocionante de riffs cadenciados. “Incest” é outra obra-prima, a letra é uma aguda e incisiva crítica às regras impostas pela igreja, onde os valores sociais e familiares seguem uma linha de pensamento inquebrantável. Em seu segundo bloco a música atinge seu momento mais épico; velocidade, força total, raiva e baterias técnicas, sem perder de vista o Metal old school que paira no meio da faixa como se quisesse nos lembrar que à beira dos anos 90, novas assimilações e vertentes do metal estão destruindo o  verdadeiro sentimento do metal oitentista, como um incesto na família.

Ao longo de todo o play, Wichhunter mostra como cada detalhe de composição das baterias foi bem pensado, e mostra o quão habilidoso e sensível ele pode ser nas composições. Isso é nítido em “Remember the Fallen” onde ele consegue guiar a música com um trabalho fascinante de variação no ritmo e intensidade. Essa faixa me emociona muito sempre que a ouço, é mais uma grande homenagem do Sodom, ”Relembrar aqueles que caíram, que sucumbiram na batalha, morreram em guerra movidos em direção à faca de enganadores e maliciosos”.  “Magic Dragon” é poderosíssima, que música sensacional! Os riffs são realmente hediondos e a música é toda muito bem ambientada na temática efusiva da guerra. O clima que ela persegue e as direções que toma, faz com que “Magic Dragon” seja apaixonante, com letras e harmonias poderosas, é com certeza uma das melhores canções do álbum e do universo do Heavy Metal! Aqui as gotas que marejavam o olho na faixa anterior, se transformam em fios de água pelo rosto, tudo é muito bem pensado na música, principalmente as guitarras inobstantes de Blackfire que cativam qualquer apaixonado pelo Metal. Você entenderá o significado da palavra “antológico” ao ouvir o final de “Magic Dragon”. 

O lado B do disco continua bom, mas não tão explícito. “Exhibition Bout” e “Ausgebombt” (que quer dizer “Bombardeado”), estão em posição de desconexão com a temática da guerra, trazendo questões não menos importantes de abordagem, no caso, a atrocidade que é feita com touros de arena e as possibilidades mínimas de liberdade que se tem numa sociedade adoecida pelo consumismo. São faixas excelentes, principalmente “Ausgebombt” que traz uma levada absolutamente punk. Para fechar o debut, o trio derrama “Baptism of Fire”, pancadaria exata! A música traz um refrão estimulante e rico e o solo é lindíssimo, talvez o melhor do disco. “Baptism of Fire” leva o ouvinte para dentro do fogo, uma metáfora para a morte, final que se aproxima cada vez mais da sociedade moderna. E a última música é “Dont Walk Away”, um cover da banda oitentista Tank, que para mim, soa bem melhor que a original inglesa. Um desfecho descontraído que não deixa de prestar mais uma homenagem às raizes do metal oitentista.

Depois de tanta porrada de Thrash Metal, é possível saber o motivo pelo qual o Sodom merece o reconhecimento e o status de um alicerce da música pesada alemã. A qualidade alcançada nesse disco é de cair o queixo, letras excelentes, gravação e mixagem na medida, e um trio que consegue prodigalizar um som eterno. A temática revolucionária que infligem denúncias e protestos segue sendo a marca excelente do Sodom, bem como o constante aprimoramento de seus discos. Para os ouvidos mais exigentes e críticos mais especializados, talvez o álbum peque um pouco no uso de uma mesma fórmula para a construção da evolução de algumas músicas, mas Agent Orange sempre acompanha meu aparelho de som e é um disco obrigatório na prateleira de qualquer apreciador do bom rock.



Sodom - Agent Orange (1989)
http://mediafire.com/?j48v34yg5zwd2yn

quinta-feira, agosto 29, 2013

20 Riffs que você precisa conhecer!

Satisfaction, Smoke on the Water, Enter Sandman, Back in Black, Bad to the Bone, Whote lotta love, Raining Blood..são riffs mais do que consagrados e por isso muito conhecidos pelo mundo afora. Eu elaborei uma lista pessoal com alguns riffs que talvez você não conheça e que estão com certeza dentro dos meus favoritos, dá uma conferida.


Jimi Hendrix - Voodoo Child
Deep Purple - Burn
Slayer - Spill The Blood
Black Sabbath - Eletric Funeral
Cream - Sunshine of Your Love
Iron Maiden - Back in the Village
Dire Straits - Money for Nothing
The Smiths - This Charming Man
Free - All Right Now
Ramones - We Want the Airwaves
Kiss - I Stole Your Love
Iron Maiden - Flash of the Blade
Whiplash - Insult To Injury
Death - Spirit Crusher
The Kinks - You Really Got Me
Scorpions - This is my Song
The Beatles - Paperback Writer
Jethro Tull - Hunt by Numbers
Rush - Limelight

terça-feira, janeiro 29, 2013

Boardgames no Brasil!

Apesar do meu projeto de mestrado envolver apenas jogos abstratos de tabuleiro, por estar em contato com o círculo de pessoas que jogam e respiram os mais diversos jogos de tabuleiro todos os dias, nos últimos anos eu fui me encantando cada vez mais pelos jogos de estratégia modernos. Além do conhecido War, não vemos jogos mais adultos aos montes pelas lojas da cidade. A verdade é que não há uma tradição de jogos de tabuleiro voltado para um público mais exigente no Brasil, muito menos há o interesse de se importar esses jogos alemães e ingleses por aqui. Claro que há as exceções, como a Taberna do Dragão, o pessoal da Strategos , Boardgames Br entre outros, onde, ainda por um preço meio salgado, você pode adquirir uma dessas lindas peças da Europa. Um Eurogame nem sempre necessita de domínio da língua nativa ao jogo, no BoardgameGeek (o maior e mais conceituado fórum de boardgames do mundo) podemos ver os mínimos detalhes de quase qualquer jogo que exista e saber, por exemplo, se você pode comprar seu game sem arrependimentos, além de diversos sites e fóruns (até mesmo os sites de venda) disponibilizarem as regras em língua portuguesa. A compra de um Eurogame é um excelente investimento para o seu lazer e, pelo menos na minha opinião, é muito melhor do que pagar 70 reais por jogo de Ps3. A circulação dos jogos eletrônicos no Brasil cresce de maneira impressionante a cada dia e talvez mais difícil seja a cativação dos mais jovens pelos Boardgames por aqui, talvez porque eles requeiram maior dose de concentração e menos cabeças voando a espirrar sangue com os famosos headshots, além de que seja necessário a presença dos outros jogadores no local de jogo.

Bom, para quem já gosta de algum jogo de tabuleiro "diferente", mesmo que seja o War, é altamente recomendável conhecer os Eurogames chamados "modernos". Você pode comprar esses jogos estrangeiros  por aqui mesmo no Brasil ou diretamente da fonte, o pessoal do Aboardgames deu uma ajudinha para quem se interessa em realizar essas compras, criando essa matéria aqui.

Agora as melhores notícias, 2012 foi um baita ano para o mercado nacional dos Eurogames, muitas empresas conseguiram traduzir alguns desses jogos e fizeram o lançamentos dos mesmos aqui no Brasil para o delírio dos fãs, o que permite que consigamos essas belezuras por preços muito mais acessíveis. A Devir trouxe o conceituado Carcassonne e World of Warcraft, em excelentes versões nacionais; a Galápagos trouxe A Guerra dos Tronos Card Game, Munchkin e o Summoner Wars Card Game e a Grow veio com a excelente surpresa da versão nacional do super premiado Colonizadores de Catan.

Além disso, há o lançamentos nacionais dos boardgames brazucas, como Vale dos Monstros e Robin Hood  da Galápagos ou ainda o Gran Circo da Ms Jogos e Ouro de Tolo da Ceilikan Jogos. Todos de muito boa qualidade e que realmente merecem uma atenção maior.

Então, o recado está dado, pesquise, procure, pergunte e adquira seu primeiro Boardgame, o se você já está nessa, procure comprar as versões nacionais dos Eurogames afim de que cada vez mais jogos e suas expansões possam ter sua versão Brasileira.

Aqui vai uma listinha dos melhores sites e fóruns do assunto:

http://www.aboardgames.net ( com vídeo-resenha de váriso jogos )
http://www.boardgamegeek.com (o maior e mais conceituado fórum do mundo)
http://www.ilhadotabuleiro.com.br (o maior fórum brasileiro de jogos de tabuleiro)
http://strategosjogos.blogspot.com.br (novidades e vendas)

sábado, janeiro 12, 2013

Top Metal Álbuns

Tarefa difícil para qualquer metaleiro, lembrando que a mesma banda não pode figurar duas vezes na lista! Vamos ser diretos, toma os 15!


01 Iron Maiden - The Number of the Beast
02 Black Sabbath - Black Sabbath
03 Judas Priest - Sad Wings of Destiny
04 Metallica - Master of Puppets
05 Slayer - Season in the Abyss
06 Anthrax - Among the Living
07 Kreator - Endless Pain
08 Sepultura - Arise
09 Megadeth - Rust in Peace
10 King Diamond - Fatal Portrait
11 Manowar - Kings of Metal
12 Motohead - Ace os Spades
13 Dio - The Last in Line
14 Death - Sound of Perseverance
15 Sodom - Agent Orange